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QUANDO E PORQUE CONTRATAR UM PAISAGISTA

QUANDO CONTRATAR?


O jardim deve complementar e realçar a arquitetura e a intenção expressada pelo Arquiteto.
Ele faz parte da obra, e não deve ser idealizado depois de terminada a construção. É na fase de término do projeto arquitetônico que o Paisagista deve ser chamado, pois as primeiras providências já podem ser tomadas: ajustes nos desníveis, locação de pontos hidráulicos, de energia, irrigação e iluminação, arrimos, rampas e escadas porventura não previstos pelo Arquiteto, formatação das áreas externas (caminhos, definição de revestimentos, quiosques ou pergolados, detalhes nas áreas de piscina e lazer). A principal vantagem é evitar despesas que se repetem, a exemplo da tão conhecida retirada de terra por desaterro num momento e compra de terra para aterro em outro momento. O projeto paisagístico permite que a irrigação e a iluminação dos jardins, dos caminhos e locais de descanso e reunião sejam contemplados pelos projetos de instalações elétricas e hidráulicas, evitando o transtorno dos improvisos quando da execução dos jardins.
Tudo deve ser estudado e previsto com antecedência quando se faz um projeto paisagístico: a insolação das áreas de lazer e piscina, por exemplo, pode às vezes ser melhorada com a mudança da localização das mesmas em alguns metros; a acessibilidade ao jardim e às áreas externas deve também ser pensada na fase de estudos do paisagismo.
Enfim, o design externo deve ser todo definido pelo Paisagista e apreciado pelo Arquiteto.
Que plantas usar e as preferências do Cliente são fatores a serem analisados na etapa posterior. Aliás, a determinação final das plantas a serem utilizadas deve ficar para o momento em que já estejam definidas as cores da construção (paredes, muros, janelas e outros elementos).
A execução dos jardins deve ocorrer no final da obra, quando os andaimes e materiais já não tomam o local e os entulhos finais estão sendo retirados. Os trabalhos de limpeza e montagem do jardim ficam mais fáceis, além de se evitar danos à vegetação, antes, durante e depois do plantio.
Mas é importante que o Cliente compreenda que a beleza do jardim só será alcançada por volta de trinta dias depois de plantado: as plantas começam a soltar brotação e a grama já precisa ser cortada. Isto significa que o enraizamento já está ocorrendo, e então o aspecto da vegetação começa a mudar, colorindo mais o jardim. É nesse momento que o Paisagista faz a revisão, a adubação específica das plantas e a verdadeira “entrega” do jardim ao Cliente.
Assim, se a intenção do Cliente é mudar para a residência tendo um jardim já formado, com flores novas e um gramado verdinho, é necessário que todos os serviços da parte externa da edificação sejam agilizados para que o jardim possa ser implantado pelo menos trinta dias antes da mudança. É necessário que a pintura externa deve estar pronta e não deve haver mais trânsito de pessoal, depósito ou transporte de materiais pela área do jardim.
Importante ressaltar um detalhe: o Cliente deve designar um funcionário para proceder às regas ou ao acionamento do sistema de irrigação, nas quantidades e freqüência indicadas pelo Paisagista, pois em final de obra a ansiedade é grande, sendo muito comum os trabalhadores irem embora e ninguém ficar encarregado de zelar pelo jardim. Manter um funcionário com esta responsabilidade proporcionará muita tranqüilidade aos proprietários e a certeza de que, ao mudarem para a casa nova, tudo já estará resolvido e os jardins estarão prontos e bonitos para serem apreciados e desfrutados.


PORQUE UM PAISAGISTA?


O Paisagista deve ser contratado se o Cliente quer um trabalho personalizado, idealizado especialmente para a sua casa, que destaque suas características arquitetônicas ou dê a ela uma identidade como “especial”. Nenhum jardim é igual a outro, pois são diferentes o Cliente e a arquitetura. Até uma simples jardineira pode ser projetada com características únicas, adequando o desejo do Cliente às características de sua casa, sem contar as técnicas utilizadas (impermeabilização, drenagem, composição do substrato e plantas adequadas).
Desenhar o jardim dos nossos sonhos pode parecer fácil, mas não é. Quando fazemos alguma reforma sem ter em mãos o projeto, não sabemos exatamente o que há por trás da parede. Da mesma forma acontece com o Paisagismo. Quando os problemas começam a aparecer... É uma jardineira que empoça, a terra vira barro e quando o sol vem vira pedra; é uma palmeira que “insiste em empurrar para cima” uma marquise sob a qual foi plantada quando era jovenzinha, e agora que cresceu...; é um cano de drenagem da jardineira que nunca serviu para o fim a que se destina, e proporciona ao seu proprietário uma parede úmida, com bolor e bolhas na pintura...
Estes e outros contratempos podem ocorrer se o trabalho for feito sem o projeto e sem a assistência de um profissional capacitado.
O Paisagista não é o responsável por “plantar umas plantinhas” ou, como já ouvimos “veja por quanto você ‘joga’ umas plantinhas lá”. Ele é o profissional que vai apresentar soluções para a necessidade do Cliente ou para realizar seu sonho de ter um jardim.
O Paisagista tem os conhecimentos técnicos necessários. Ele vai auxiliar desde a escolha das plantas adequadas, os movimentos de solo, a insolação, a drenagem e até a escolha do mobiliário adequado ao jardim (bancos, mesinhas, gangorra, equipamentos para as crianças, etc). Da mesma forma que o Arquiteto e o Decorador, ele vai observar o modo de viver dos moradores, seus desejos e gostos, e criar um jardim que congregue tudo isto e ainda valorize a edificação (arquitetura, cores, etc). Um projeto paisagístico, dependendo do tamanho do espaço, pode demandar muitas reuniões com o Cliente até chegar à versão final, que agrade ao Cliente e seja tecnicamente viável.
Entre outras questões técnicas, o Paisagista irá orientar o Cliente sobre a conveniência ou não de se colocar determinada planta. Às vezes o sonho do Cliente será seu pesadelo no futuro: a planta desejada arrasa estruturas, derruba muros, enforca tubulações e racha piscinas em busca de água. Às vezes o desejo do Cliente é utópico e ele não terá paciência de cuidar ou de ter sempre alguém cuidando: as flores existentes em muitos jardins podem ser lindas, mas dependem de mudanças e renovação trimestral ou semestral para conservar a beleza do canteiro; um pomar localizado à sombra da edificação ou de árvores maiores e com o espaçamento reduzido entre as espécies jamais dará frutos com a força de um pomar de sol pleno, por mais que se adube e cuide.
É dever do Paisagista esclarecer seu Cliente sobre o crescimento, porte e necessidades das plantas que ele deseja ter em seu jardim ou as que estão sendo inseridas no projeto. Aquela inocente palmeirinha ou pinheirinho de natal pode vir a ser enorme transtorno ao atingir a idade adulta.
A grande vantagem de se ter um projeto completo é que a execução do jardim pode ser orçada entre vários profissionais e empresas de jardinagem, chegando-se ao preço ideal e, ainda, o jardim pode ser implantado em etapas. Jardins de grande porte podem demandar meses ou mesmo anos de trabalho.
O Cliente deve ter em mente que o investimento na contratação de um Paisagista e na elaboração de um projeto serão revertidos em benefícios que, começando com a economia de não ter que fazer e refazer, passam pela tranqüilidade de se ter um técnico cuidando de detalhes que nem todo executor de montagem de jardins conhece e finalizam com um “efeito especial”, personalizado, em seus jardins, valorizando a criação do Arquiteto e servindo de moldura para a edificação.
Outra vantagem é que o Paisagista fornecerá instruções detalhadas sobre como cuidar do jardim. Seguidas as instruções por profissionais de jardinagem confiáveis, o Cliente terá o jardim sempre com aspecto de novo, com acompanhamento do crescimento das plantas e controle dos avanços indesejáveis. Se a manutenção for supervisionada pelo Paisagista a garantia será ainda maior, pois o regime de regas, adubação, podas, controle de pragas e doenças, tudo estará a cargo de quem está realmente preparado e conhece o assunto. Descuido com a manutenção é sinônimo de maiores gastos ou mesmo reformas que poderiam ser evitadas.
A escolha de um bom profissional pode ser feita com base no seu trabalho, seja por meio de portfolio com referência dos Clientes, seja por indicação de quem já utilizou seus serviços. O único critério que não pode determinar a escolha do profissional é o preço. A concorrência para coleta de preços certamente indicará o jardim mais barato, não o melhor.
Tão importante quanto um projeto paisagístico bem feito é a escolha do profissional que irá executá-lo. A seriedade do profissional pode valorizar ainda mais o projeto mas a falta de critério ou de experiência do mesmo pode por a perder todo o investimento e, em vez de economia, virá o prejuízo.
Sabemos que o barato pode sair caro. Sempre será possível encontrar profissionais dispostos a fazer um trabalho por um preço mais baixo. Muitas vezes essa aparente economia estará oculta no tamanho e qualidade das plantas, no preparo inadequado do solo, no uso de substrato de procedência duvidosa, contendo ervas daninhas e suas milhões de sementes, numa adubação deficiente, levando a um resultado sofrível a curto e longo prazo. A falsa economia pode resultar em enormes prejuízos como a reforma completa do jardim, daí a necessidade de se averiguar a seriedade do profissional.

MAS, EM QUE CONSISTE O TRABALHO DO PAISAGISTA?


ESTUDOS E CRIAÇÃO


Estudo das características do solo, de áreas que precisam ter melhorada a drenagem ou a retenção de água, para determinar as correções necessárias e os diversos materiais a serem incorporados ao solo para melhorar sua eficiência.
Análise dos desníveis do terreno, a fim de se chegar ao nível ideal de cada elemento paisagístico.
Estudo da insolação e níveis de luminosidade nas diversas estações do ano para escolha do melhor local para o jardim, pomar, jardim de ervas e horta, solarium e o local sombreado para leitura de um livro ou meditação;
Análise da edificação e do entorno;
Estudo das disponibilidades e restrições do local;
Estudo das formas adequadas ao local;
Determinação das espécies vegetais de acordo com as características observadas e a técnica aplicável;
Escolha dos diversos materiais aplicáveis na composição;
Estabelecimento de acessos (escadas, caminhos, rampas, decks), áreas de contemplação (bancos, gazebos, pergolados, quiosques, etc).
Processo Criativo: design do ambiente de acordo com as análises feitas, visando a combinação harmoniosa de volumes, formas e cores e o atendimento das necessidades e intenções expressadas pelo Cliente.


APRESENTAÇÃO DO TRABALHO


Anteprojeto para apresentação inicial ao Cliente. Alterações e adequações.
Projeto final: Desenho técnico do projeto, composto de prancha geral e pranchas específicas detalhadas: planta baixa determinando os caminhos e áreas de canteiros, localização dos equipamentos (bancos, quiosques, lago ou espelho d’água, escadas etc), lista de especificação dos materiais (pisos, forração de pedras e pedriscos, vasos, mobiliário, etc), pranchas específicas: detalhamento do plantio com relação da vegetação (nome, quantidade, porte, etc), pontos de irrigação, pontos de iluminação, e outras pranchas de detalhamento que forem necessárias e, ainda, desenhos representativos dos centros de interesse, em perspectiva ou elevação.
As técnicas de apresentação dos projetos são variadas, indo desde o trabalho de desenho manual até os sofisticados recursos do computador, com fotomontagens, por exemplo.


EXECUÇÃO


Supervisão técnica de todos os trabalhos pela Paisagista;
Escolha e aquisição dos exemplares vegetais específicos para o local, de acordo com o projeto;
Escolha, aquisição e preparo de substrato, com nutrientes específicos para as espécies escolhidas;
Escolha, encomenda e aquisição de recipientes apropriados ao plantio – floreiras, vasos e suportes;
Preparo do local: limpeza, preparação da drenagem, remoção de terra, etc;
Plantio das espécies por profissional de jardinagem e ajudante;
Revisão/adubação da vegetação plantada 30 dias após a conclusão dos trabalhos;
Entrega ao Cliente do Manual de cuidados e uso do jardim.